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Sessão Temática ‘Exposições Sazonais e Circulantes’ no 45º Colóquio do CBHA

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No último mês de outubro, o grupo GEOPOLÍTICAS INSTITUCIONAIS participou do 45º Colóquio do Comitê Brasileiro de História da Arte (CBHA), em Brasília, organizando a Sessão Temática “Exposições Sazonais e Circulantes: Entre e a Arte e a Geopolítica”. A Sessão teve coordenação de Vera Beatriz Siqueira (CBHA), Maria de Fátima Morethy Couto (CBHA) e Daniele Machado (Uerj).

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Nas últimas décadas, Trânsitos, Migrações e Fronteiras se tornaram palavras-chave em trabalhos, pesquisas e projetos artísticos, chegando a ser o eixo conceitual da Bienal de Veneza de 2024. A 60ª edição da maior exposição de arte do mundo teve como tema Foreigners Everywhere (Estrangeiros em todo lugar), com a curadoria assinada, pela primeira vez, por um latino-americano, Adriano Pedrosa. Nela, foram exibidas obras como a da artista franco-marroquina Boucha Khalii, The Mapping Journey Project (2008–11), que trata de indivíduos que por circunstâncias políticas ou econômicas foram forçados a viajar ilegalmente pela Europa, tornando-se muitas vezes apátridas e perdendo seus direitos como cidadãos. A obra expõe rotas e redes migratórias informais e precárias, descrevendo jornadas longas, intermitentes e perigosas, por meio da narração de pessoas que as vivenciaram. Nos oito vídeos exibidos simultaneamente, ouvimos suas histórias e vemos suas mãos traçando as respectivas trajetórias em um mapa, com uma caneta piloto, mas seus rostos permanecem invisíveis, assegurando o anonimato.

Historicamente, um dos campos artísticos mais férteis para o estudo desses temas é o das exposições, especialmente as sazonais e circulantes. Seja dentro do território nacional, seja em circuitos transnacionais, esses tipos de mostra mobilizam e afetam diversas instâncias da diplomacia cultural e das geopolíticas institucionais, auxiliando na compreensão das mudanças na estrutura de poder do mundo da arte e em como as artes e a cultura funcionam como espaços privilegiados para a construção de imagens positivas e assertivas das nações. Fundindo aspectos de diferentes perspectivas teórico-metodológicas (história da arte, história das exposições, perspectiva geopolítica, diplomacia cultural) este tema tem especial interesse para o desenvolvimento das pesquisas que partam da análise da circulação cultural para renovar os estudos sobre artistas e obras, contribuindo assim para articular pesquisas desenvolvidas no país e no exterior.

Convidamos pesquisadores interessados a submeter apresentações sobre tais questões em nossa Sessão Temática, vinculada ao grupo de pesquisa “Geopolíticas Institucionais: arte em disputa a partir do pós-guerra”. As propostas, em qualquer recorte temporal, podem abordar os seguintes eixos:

  • Diplomacia cultural e as mostras internacionais;
  • História e crítica de exposições e suas articulações locais, nacionais e/ou internacionais;
  • Exposições como estratégias discursivas;
  • Formação e circulação de redes de agentes e instituições culturais: artistas, críticos, marchands, colecionadores, galerias, museus, etc.;
  • Ecos e desdobramentos de exposições circulantes no mundo das artes: crítica, historiografia e práticas artísticas;
  • As novas fronteiras desenhadas pela circulação de mostras, agentes culturais e objetos artísticos;
  • O esgotamento e a reinvenção do modelo de exposições universais, bienais, etc.;
  • Representações (e estereótipos) nacionais nas mostras circulantes e sazonais;
  • O papel das exposições na formação e no questionamento do cânone artístico;
  • Recortes interseccionais de gênero, classe e raça nas exposições de arte e cultura;
  • A interconexão de valores estético-culturais e questões geopolíticas.