Participação no XVIII Congresso da Brazilian Studies Association (BRASA)

O grupo de pesquisa Geopolíticas Institucionais: arte em disputa no pós-guerra participou do XVIII Congresso da Brazilian Studies Association (BRASA), realizado entre 7 e 10 de julho, 2026, na Universidade Federal da Bahia, com dois painéis complementares sobre o tema Museus e instituições modernas no Brasil: arte em circulação.
Os primeiros museus de arte moderna no Brasil buscavam afirmar-se como instituições dinâmicas e pedagógicas, capazes de promover a mediação entre público e obra e romper com as fronteiras disciplinares. Visavam transformar-se em espaços de divulgação das novas tendências nacionais e internacionais, criando para tanto uma agenda diversificada e plural, que compreendia não apenas exposições de arte em meios e suportes tradicionais (pinturas, esculturas, gravuras e desenhos), como também mostras de arte decorativa, desenho industrial, tapeçaria, cartazes, fotografia, cenografia, etc. Além disso, projetavam a criação de seções ou departamentos específicos, voltados à disseminação das práticas modernas, como a fotografia e o cinema, e atividades educacionais constantes. A programação desses novos museus brasileiros era estabelecida por meio de negociações institucionais em que as relações interpessoais tinham grande peso, inclusive para a criação de redes internacionais de colaboração.
A proposta de ambos os painéis foi a de apresentar estudos de casos de mostras que circularam a partir da atuação desses museus, com dois objetivos centrais. O primeiro era o de cartografar e analisar a rede de agentes culturais envolvida nessas mostras (artistas, colecionadores, marchands, corpo diplomático, órgãos de estado, instituições, etc.), para montar o tabuleiro geopolítico da cultura no Brasil. O segundo diz respeito ao levantamento e à análise dos valores estético-culturais postos em circulação, definindo a peculiar certa narrativa sobre a arte e a modernidade que vai se tecendo no país.
O grupo também participou da Sessão Autor encontra Leitor, com um debate sobre o livro Exposições e conexões internacionais no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1948–1978) São Paulo: Editora Intermeios, 2025.
Veja também
Acesse a versão em inglês do livro “Exposições e conexões internacionais no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1948-1978)”
Sobre os painéis
Painel 1: Museus e instituições modernas no Brasil: arte em circulação I
7 de julho, Pavilhão de Aulas Glauber Rocha: Sala 27
Organizadora: Maria de Fátima Morethy Couto
Coordenadora: Vera Beatriz Siqueira
Debatedor: Emerson Dionísio Oliveira
Comunicações:
1. Burle Marx nos Estados Unidos: a exposição circulante de 1954 – Vera Beatriz Siqueira (Uerj)
2. Diplomacia Cultural Italiana no Brasil: entre o Clássico e o Moderno – Dunia Roquetti (IA, Unicamp)
3. A circulação da exposição New Art of Argentina (1964-1965) – Moema de Bacelar Alves (Uerj)
4. A circulação da mostra The American Woodcut Today (MoMA) no Brasil – Gabriela Caspary Corrêa (Uerj)
Painel 2: Museus e instituições modernas no Brasil: arte em circulação II
8 de julho, Pavilhão de Aulas Glauber Rocha: Sala 27
Organizadora: Vera Beatriz Siqueira
Coordenadora: Maria de Fátima Morethy Couto
Debatedora: Patrícia Corrêa
Comunicações:
1. A Grã-Bretanha na Bienal de São Paulo (1950-1960): a arte moderna na visão do British Council – Maria de Fátima Morethy Couto (IA, Unicamp)
2. Exibindo arte moderna e contemporânea da Tchecoslováquia na América do Sul: a atuação de Jiří Kotalík – Thiago Gil Virava (IA, Unicamp)
3. A circulação da arte haitiana na Bienal de São Paulo (1951-1973) – Emerson Dionisio Oliveira (UnB)
4. “Tesouros do Peru” no Brasil: arte pré-colombiana e as representações nacionais peruanas nas Bienais de São Paulo – Patrícia Corrêa (UFRJ)
5. A Formação de Ideias de Arte Brasileira nas Bienais de Veneza da Década de 1950 – Daniele Machado (Uerj)
Sessão Autor encontra Leitor
Apresentação do livro Exposições e conexões internacionais no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1948–1978) São Paulo: Editora Intermeios, 2025.
9 de julho. Biblioteca Reitor Macedo Costa: Sala de Leitura – Estação 3
Organizadoras: Maria de Fátima Morethy Couto (IA, Unicamp) e Moema de Bacelar Alves (Uerj)
Debatedora: Vera Beatriz Siqueira (Uerj)
Resumo das comunicações
Painel 1: Museus e instituições modernas no Brasil: arte em circulação I
1. Burle Marx nos Estados Unidos: a exposição circulante de 1954
Vera Beatriz Siqueira (Uerj)
No dia 18 de maio de 1954, na sede da Pan American Union em Washington, foi inaugurada a mostra Landscape Architecture in Brazil: New Designs by Roberto Burle Marx. A exposição, organizada por iniciativa do Smithsonian Institute Traveling Exhibition Service, circulou entre 1954 e 1955 por diferentes instituições norte-americanas. A longa itinerância estava prevista desde o início, quando Annemarie Pope, primeira diretora do recém-criado serviço de mostras circulantes do Smithsonian, viu as fotografias da mostra de Burle Marx no Museu de Arte de São Paulo (montada entre junho e agosto de 1952) que haviam sido publicadas na revista Habitat nº 8, e decidiu escrever a Pietro Maria Bardi, então diretor do museu paulista, solicitando o envio desta exposição para os Estados Unidos. Com o apoio de José Gómez Sicre, diretor da divisão de Artes Visuais da Pan American Union, Pope comunicou a Bardi que pretendia inaugurar a mostra nesta instituição, na qual Sicre vinha realizando uma série de exibições dedicadas à divulgação da arte latino-americana nos Estados Unidos, e depois fazê-la circular por “oito a dez museus, de costa a costa.”
O Smithsonian Institute Traveling Exhibition Service era órgão recém-criado no sistema nacional norte-americano de museus e institutos de pesquisa, visando à realização de mostras itinerantes de arte, cuja direção foi logo assumida por Pope. Nitidamente, sua criação participava do novo contexto mundial da Guerra Fria, no qual os Estados Unidos voltavam a atenção para a América Latina, um pouco esquecida depois do fim da Segunda Guerra Mundial. O interesse pela mostra de Burle Marx era compartilhado com José Gómez Sicre, crítico de arte e escritor cubano que comandava a Seção de Artes Visuais da Pan American Union desde 1947. A atuação de Sicre vem sendo reavaliada contemporaneamente, destacando-se seu papel como formulador do cânone do que se conhece ainda hoje como “arte latino-americana.” A análise desta mostra serve, portanto, como um caso de estudo destacado para discussão do contexto geopolítico institucional do período e suas agendas na relação entre os EUA e a América Latina.
2. Diplomacia Cultural Italiana no Brasil: entre o Clássico e o Moderno
Dunia Roquetti (IA, Unicamp)
Esta comunicação apresenta uma análise global da atuação do sistema diplomático-cultural italiano no Brasil, entre os anos de 1937 e 1958. A proposta é investigar como a Itália procurou exportar uma imagem cuidadosamente moldada de sua arte e cultura, projetando uma dualidade pouco fortuita: ora associada à tradição clássica e monumental, ora vinculada à modernidade e à abertura política do pós-guerra. Nesse panorama, daremos especial destaque à ampla exposição itinerante Dieci anni di pittura italiana, financiada pelo Ministero degli Affari Esteri, que percorreu cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e diversas capitais latino-americanas, entre 1957 e 1958. Essa mostra destacou-se não apenas por sua abrangência geográfica, mas também pela curadoria qualificada de seu comitê seletivo, composto por figuras proeminentes como Giulio Carlo Argan, Roberto Longhi e Rodolfo Pallucchini. A exposição condensou, de forma exemplar, as tensões e estratégias da diplomacia cultural italiana no período, oscilando entre a exaltação de um legado artístico clássico e o anseio de afirmar uma identidade italiana moderna e cosmopolita no cenário internacional do pós-guerra.
3. A circulação da exposição New Art of Argentina (1964-1965)
Moema de Bacelar Alves (Uerj)
A cena artística da Argentina das décadas de 1950 e 1960 foi marcada pelo investimento em estratégias políticas de representação e reconhecimento internacional. Nesse contexto, em meados dos anos 60, o Instituto Torcuato Di Tella organizou, junto ao Walker Art Institute, de Minneapolis, uma exposição que reunia uma seleção de obras de pintura e escultura para circular em diversos museus dos Estados Unidos e que, diferente de outras mostras que anteriormente foram expostas naquele país, essa não era identificada como a arte de um continente, mas sim exclusivamente com a arte de um país. Seu nome foi New Art of Argentina e, de outubro de 1964 a março de 1965, a mostra foi apresentada por quatro instituições dos EUA. Antes, contudo, de sair em circulação, foi exposta para o público de Buenos Aires, no próprio Instituto Torcuato Di Tella. Essa era a segunda exposição que a instituição estadunidense dedicava à arte contemporânea da América Latina. A primeira, ocorrida entre março e abril de 1962, foi justamente dedicada à arte produzida no Brasil – New Arte of Brazil.
Um ano depois, em outubro de 1965, a mesma exposição sob nome traduzido: Nova Arte da Argentina, inaugurou no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, sendo oferecida à instituição pelo próprio Instituto Torcuato Di Tella. Assim, a partir da circulação dessa mostra entre os três países, pretende-se abordar a história da circulação de obras no contexto do Pós-Guerra a partir das relações culturais entre Brasil, Argentina e Estados Unidos.
4. A circulação da mostra The American Woodcut Today (MoMA) no Brasil
Gabriela Caspary Corrêa (Uerj)
A exposição The American Woodcut Today, organizada pelo Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York, insere-se no processo de revalorização da xilogravura que ocorreu na década de 1940. Esta mostra teve uma circulação internacional, passando pela América Latina e Oceania. No Brasil, ela atingiu seis capitais: Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Recife. A presente comunicação visa analisar essa circulação e a recepção no contexto brasileiro. Para tanto, serão examinados a documentação presente nos arquivos do MoMA e os jornais da época, observando as diferentes instituições que acolheram a mostra e a sua recepção crítica nas cidades visitadas.
Painel 2: Museus e instituições modernas no Brasil: arte em circulação II
1. A Grã-Bretanha na Bienal de São Paulo (1950-1960): a arte moderna na visão do British Council
Maria de Fátima Morethy Couto (IA, Unicamp)
O British Council foi criado em 1934 com o objetivo de desenvolver laços culturais mais próximos com outros países, atuando em uma fronteira ambígua entre relações culturais e propaganda no intuito de influir na opinião pública internacional e criar vínculos políticos e comerciais. O British Council agia na América Latina desde 1935, tendo iniciado oficialmente suas atividades no Brasil em 1945, após decreto assinado por Getúlio Vargas. A estrutura do British Council foi constantemente alterada ao longo dos anos e a eficácia e o escopo de suas atividades foram objeto de questionamentos públicos, inclusive no que se refere aos ganhos políticos de se promover a cultura britânica no exterior. No período do pós-guerra, o órgão era dividido em departamentos distintos, sendo que o orçamento destinado às artes em geral era mínimo, já que a maior parte de seus recursos financeiros era voltada a ações educativas, de ensino do inglês.
O Departamento de Artes Visuais do British Council tinha como principal tarefa selecionar os artistas que representariam o país nas grandes exposições internacionais de arte, como as bienais de Veneza, São Paulo, Paris e Tóquio, além de organizar mostras itinerantes pelo mundo. Nos anos 1950 e 1960, esta tarefa era realizada por um comitê específico, composto por diretores de museus, críticos e historiadores da arte, sob o comando de Philip Hendy e de Lilian Somerville. A atuação prolongada de Somerville à frente do Departamento de Artes Visuais (1948 a 1970), e a estabilidade do Comitê Assessor foi fator determinante para o sucesso das ações de promoção da arte britânica no exterior, que se evidenciam nas variadas premiações obtidas em eventos como a Bienal de São Paulo, que será o tema de minha apresentação. Mas esses mesmos fatores imprimiram características específicas às seleções dos artistas britânicos, permitindo, por um lado, uma grande articulação entre as escolhas, mas contribuindo, por outro, para a permanência de determinados valores estéticos nas representações do país e para que outras contribuições se mantivessem à margem.
2. Exibindo arte moderna e contemporânea da Tchecoslováquia na América do Sul: a atuação de Jiří Kotalík
Thiago Gil Virava (IA, Unicamp)
Nesta comunicação, apresento um panorama da atuação do historiador da arte tcheco Jiří Kotalík (1920-1996) na organização de exposições de arte moderna e contemporânea da Tchecoslováquia na América do Sul, entre 1957 e 1972. Kotalík foi o comissário responsável pela representação nacional da Tchecoslováquia na Bienal de São Paulo, desde o início da participação daquele país na mostra paulista, na 4ª edição (1957), até a 10ª edição (1969). Em 1972, quando ocupava a posição de diretor da Národní Galerie [Galeria Nacional] em Praga, colaborou com Jorge Glusberg para a realização da mostra 121 grabados checoslovacos no Centro de Arte y Comunicación (CAyC), em Buenos Aires. Dedicarei especial atenção à primeira premiação de um artista tcheco – Jiří Kolář (1914 – 2002) – na seção de artes plásticas da Bienal, o que ocorreu na 10ª edição, no contexto de um boicote internacional à mostra e cerca de um ano depois dos protestos populares conhecidos como Primavera de Praga e da promulgação do AI-5 no Brasil. De que modo o conjunto de colagens, “objetos-colagem” e “anti-colagens” apresentados por Kolář, assim como os discursos de Kotalík e do juri de premiação, enfrentam, escamoteiam ou obscurecem essas tensões políticas? Também me interessa investigar nesse panorama se e o quanto Kotalík modulou seu discurso e escolhas ao transitar do contexto de oficialidade da Bienal para um espaço experimental como o CAyC.
3. A circulação da arte haitiana na Bienal de São Paulo (1951-1973)
Emerson Dionisio Oliveira (UnB)
A presente pesquisa busca apontar e analisar quais os segmentos da arte haitiana foram representados nas Bienais de São Paulo entre 1951 e 1973, a partir de sua incipiente recepção crítica e do reduzido impacto no colecionismo das instituições brasileiras. Da mesma forma, buscamos mapear o trânsito internacional dos artistas recorrentemente apresentados no evento brasileiro: Spencer Despas, Renè Exume, Gabriel Alix, Marie-Denisa Day, Joseph Jacob, Raymond Joseph. O mapeamento proposto visa introduzir a bienal paulista como uma etapa do dinâmica de internacionalização da produção haitiana, especialmente dirigida para o mercado estadunidense. Nesse tocante, parte-se da hipótese de que a seleção de parte da produção pictórica haitiana no segundo pós-guerra busca a neutralização política dos temas das obras. Neutralização fundada na perspectiva de que a histórica cultural do “Haiti é diferente” e na insistência no arcaísmo como elemento destacado nas obras. Hipótese já testada por outros pesquisadores, mas que raramente contabilizam o trânsito recorrente de tal produção artística nas bienais brasileiras.
4. “Tesouros do Peru” no Brasil: arte pré-colombiana e as representações nacionais peruanas nas Bienais de São Paulo
Patrícia Corrêa (UFRJ)
Em 1963, a VII Bienal de São Paulo trouxe ao Brasil a primeira grande exposição de Arte Pré-Colombiana a se realizar no país, com 487 peças enviadas por instituições da Argentina, da Colômbia e do Peru. Apresentada como sala especial, foi acompanhada pelas usuais mostras das representações nacionais desses países, com obras de artistas contemporâneos. Nosso interesse recai na participação do Peru, responsável pela maior contribuição à sala especial, procedente de oito coleções particulares e organizada pelo Instituto de Arte Contemporânea de Lima. A exposição, de imenso sucesso e repercussão, foi a culminância de negociações em curso pelo menos desde 1959, a partir de esforços para se trazer a mostra Tesouros do Peru para a V e a VI Bienais, o que apenas se viabilizou na VII Bienal. Mapear e compreender os agentes, instituições e relações que conduziram à exposição de arte pré-hispânica peruana em 1963, bem como sua recepção e conexões artísticas no meio brasileiro, são objetivos deste trabalho. Além disso, interessa explorar os sentidos das relações estabelecidas entre as artes do Peru ancestral e do Peru atual na Bienal de São Paulo, tanto como estratégia de representação nacional e afirmação no tabuleiro geopolítico da arte do pós-guerra, quanto como parte de um processo de elaboração de sensibilidades modernas por artistas do país andino. A presença marcante de expressões identificáveis com uma “abstração andina” ou “telúrica” nos envios oficiais de 1959, 1961 e 1963 revela uma trama de posições, interações e expectativas sobre a construção de uma identidade artística peruana, o que certamente envolve políticas culturais locais e transnacionais. Mas também revela processos artísticos legítimos, que ora buscavam reinventar imaginários indigenistas e nativistas, ora pareciam reconhecer nas linguagens abstratas possibilidades de se abordarem paisagens ilegíveis, estruturas esfaceladas e códigos rompidos, paralelamente à expansão da arqueologia peruana. Interessa, finalmente, pensar as participações do Peru nas três Bienais como parte dos processos mais amplos que forjaram padrões e conceitos de uma “modernidade vernacular” peruana: conectada e periférica, superficial e profunda, rastreável e original.
5. A Formação de Ideias de Arte Brasileira nas Bienais de Veneza da Década de 1950
Daniele Machado (Uerj)
No fim da década de 1940, os movimentos em torno da criação de instituições fundamentais para o cenário artístico nacional, como os museus de arte moderna do Rio de Janeiro e de São Paulo, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand e a Bienal de São Paulo, reverberaram, na década seguinte, em um processo mais regular de exposições de artistas brasileiros no exterior. A construção dessa internacionalização, contando com uma estrutura que era contingente mesmo no Brasil, não impediu que essas mostras fossem realizadas. Entre elas, destacam-se as participações do Brasil na Bienal de Veneza, o que ocorreu pela primeira vez em 1950, com o pavilhão do país sendo inaugurado em 1964. A possibilidade de uma internacionalização mais regular da arte nacional ergueu, aos poucos, ideias sobre a arte brasileira, estabelecendo os artistas que deveriam representá-la — escolhas atravessadas por uma série de questões geopolíticas, logísticas e econômicas. Na presente comunicação, pretende-se analisar a participação do Brasil nas cinco edições da Bienal de Veneza realizadas na década de 1950. Nesse panorama, serão observadas as semelhanças e diferenças entre elas — artistas, perfis de obras, grupos e movimentos, organizadores, instituições e demais agentes parceiros envolvidos — e como elas impactaram os próprios modos do Brasil discursar sobre a sua arte em território nacional, circulando na própria programação das instituições do país.
































